EURO

A nossa moeda única, o Euro, completa este ano 20 anos. No dia 1 de janeiro de 1999, onze países, entre os quais Portugal, adotaram o Euro nas suas transações financeiras. Em 2002, as notas e as moedas de Euro entravam no nosso dia a dia.
Hoje com 19 membros, o Euro é o projeto mais ambicioso lançado a nível europeu, que conta com o apoio de uma imensa maioria dos 340 milhões de cidadãos dos Estados que o adotaram.

Desde a sua criação, o Euro tem sido um fator de estabilidade e de prosperidade para a economia e as sociedades europeias. Garantiu a estabilidade dos preços, controlando a inflação, e assim contribuiu para um aumento geral do poder de compra na Europa. Trouxe ainda estabilidade ao pôr fim às constantes guerras entre moedas e às desvalorizações
competitivas, suprimiu custos e taxas de câmbio, reduzindo a incerteza e favorecendo as trocas e as deslocações no seio do continente europeu, em particular da Zona Euro.
Permanece, contudo, um projeto incompleto, que não contribuiu para fazer convergir em profundidade as economias dos seus membros. As regras orçamentais são insuficientes para aproximar as economias. Existem desequilíbrios estruturais entre Estados-membros que só podem ser corrigidos com reformas e com investimento público para aumentar o seu potencial de crescimento e a convergência. A crise económica e financeira de 2008 veio pôr a nu estas fragilidades. Durante a crise, os ajustamentos fizeram-se à custa dos salários e da austeridade, que hipotecou o futuro de muitos. Desde então, quatro novos Estados aderiram ao Euro, mas as fragilidades mantêm-se. O Banco Central Europeu adaptou os seus meios de intervenção, não se limitando apenas a assegurar a estabilidade dos preços, mas agindo como supervisor do sistema bancário europeu, para evitar a especulação e garantir uma maior estabilidade.

Temos ainda um longo caminho pela frente para completarmos a nossa União Económica e Monetária e fazer da Zona Euro um motor de estabilidade e de crescimento.
Desde logo, temos que concluir a União Bancária, reformar o Mecanismo Europeu de Estabilidade, criar um mecanismo comum de apoio orçamental (‘backstop’) para o Fundo Único de Resolução, adotar o Sistema Europeu de Seguro de Depósitos (EDIS); e progredir na União de Mercado de Capitais.

A convergência é o grande fator de estabilização e de prevenção de futuras crises na Zona Euro. Temos, por isso, que concluir o processo de criação de uma capacidade orçamental própria da Zona Euro, que garanta a convergência e a competitividade, através do apoio às reformas que os Estados-membros têm que concluir nas suas economias para aumentar o seu potencial de crescimento, criando mais e melhores empregos, e assegurando uma maior coesão social.

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